segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

as coisas que descubro aos domingos (ii)

os hélderes estão mesmo a dar o curso de inglês gratuito, as aulas são no salão, antes, no decorrer e após a missa, o manual é o livro mórmon e os cânticos são cantados em inglês.

fonte (+) ou (-) fidedigna: manuel velhinho

la passeata

para enganar o tempo passeei muito, andei pelo outono do parque florestal, apanhei folhas amarelas, vermelhas e castanhas, castanhas-caramelo, parecidas a gotas, parecidas a estrelas e a espinhas de um peixe grande. depois dei-as a uma menina, para ela guardar no dossier de imagens ou fazer uma capa gira para o caderno de estudo acompanhado.
estive no museu do som e da imagem, vi máquinas de ilusão, de imitar a tempestade. estive na livraria e tive nas mãos os livros da tal editora que aparecia no jornal de 6.ª. leio esses livros no inverno, por agora gostei do guarda-chuva estropiado a parecer uma flor seca.
lamentei ter perdido o norberto lobo, mas passou-me rápido e andei com ele em repeat o tempo todo. fiz bolo e decidi uma coisa, que hoje comprava uma abóbora, (comprei meia, por isso, nada de carruagens para marias sem sapatos) vou mesmo fazer doce de calondro, a marmelada saiu muito mal, desta vez vou seguir as fórmulas, tenho de me habituar. entre tanto passeio, descobri outro as coisas que descubro aos domingos que vou postar ali em cima.

para a ilusão de chuva, vento e trovoada, usa aquelas máquinas antigas do teatro.
























imagem roubadinha, aqui.

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

2x esta música, o tempo de chegar ao trabalho nos dias sem chuva.



trouble no more, dark dark dark.

2x esta música, o tempo de chegar ao trabalho nos dias de chuva.


the mountain, heartless bastards.

as coisas que descubro aos domingos (i)






















descobri que o bisavô pais brandão, para além de político, foi um grande dançarino de sapateado.
sou a mais recente tap dancer da família, só faltam os sapatos.

domingo, 15 de Novembro de 2009

apresento-vos o kuzco, o meu irmão gémeo, segundo a abi e o rá :)






















podem ver esta e outras imagens no site do disney channel.

sábado, 14 de Novembro de 2009

eyeliner























um mundo de cerejas e morangos que não desilude. água-furtada com música de gira-discos, o ruído das agulhas, olhos atentos que te vêem afeitar, aquele pincel e espuma na cara. à navalha, que às vezes se engana e deixa o rosto com pontos finais vermelhos, dou um caderno de 2 linhas. depois penso que posso aplicar esse golpe à tristeza, ao coração, ao tempo, cadernos de 2 linhas para todos.
semanas e meses em várias colunas sobre papel que pinta os dedos, uma pessoa esquece e traz borrões do mundo nas pernas e nos braços, na cara, em todo o corpo.
olho o descuido e vejo vestidos de sevilhanas e castanholas. estalas os dedos, dou um passo, dou-te a camisa de botões de rosa, dás-me um guardanapo com o retrato do que fui, do que procuro quando decoro o olhar com lápis preto e sombras de chocolate, quando pinto os lábios de escarlate mesmo tendo a certeza que nunca mais os vais beijar.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

petit jean






















esta é a minha versão favorita. aqui, outras versões. em destaque: versão bíblica, versão robinson crusoe e versão "lion é selvagem".

a culpa é da menina halflife que no soft humanity, blogue altamente recomendado, nos apresenta «sexy dudes» (isto de «dudes» faz-me mesmo lembrar o big lebowski).

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

(+) branca escrevia o desgosto nos cadernos de capa negra a4,

depois estendia-o, à espera que a neve o cobrisse, que a chuva o levasse até ao mar. o mar haveria de saber o que fazer dele, torná-lo um desgosto náufrago. por vezes escrevia-o e não aguentava o choro, molhava-o, e então estendia-o e esperava que o sol o secasse. para depois o escrever de novo e o queimar; escrevê-lo e engoli-lo; escrevê-lo e rasgá-lo; escrevê-lo e pisá-lo.

e +





















ester ficou velhinha a chorar de um amor que não lhe respondia aos sonhos.
todas as manhãs as deixava no marco de correio do palais royal, depois apanhava o metro para o marais, bafejava os vidros e escrevi-as. aprendeu a dizê-las em linguagem gestual, na linguagem dos leques e a escrevê-la nos bolos, escrevi-as nas saladas (e com grande perícia, pulverizava-as com ervas), aprendeu a escrevê-las em grego e em checo. todos os dias fazia um poema de palavras escassas e com alguns erros, daqueles com as iniciais, sempre as mesmas 5 letras.

amour,
mon petit coeur, ma mer, je m'
oubli de moi, je porte cette robe d'été,
unicolore et très froid. mon amour est vrai,
répondez-moi s'il vous plaît.

heitor tinha cara de cigarro, usava óculos de massa e vibrava com policiais. aprendeu a arte de ourives com o pai. escolheu londres por causa do tamisa, um motivo estúpido: tamisa rimava com marisa, o nome da rapariga estilo cabaret que lhe tirava o sono desde miúdo. tinha uma folga por mês, chato, mas ele não se importava. nesses dias atravessava o canal da mancha, ia ao encontro de ester, a irmã, levava-lhe chá e singles dos smiths.

+

mas ela não sabia e por isso todas as noites adormecia sozinha, rodeada de flores de veludo, de seda, de todas as cores. adormecia a ler gigantes, à luz da lanterna dos acampamentos e agarrada a um pequeno dicionário, azul, do planeta-agostini, só para o caso de se querer certificar das palavras.

sábado, 7 de Novembro de 2009

so, why are you on your own tonight?

tinha de ser um rapaz que oferecesse flores, que tivesse um ligeiro sotaque francês, que ouvisse smiths e que declamasse. vinham príncipes de todo lado, com ramos de flores sumptuosas. sim, ela gostava que lhe oferecessem flores, mas tinham de ser flores murchas. e isso, nem o príncipe mais prodigioso poderia adivinhar.
o manuel poeta tocava nas flores e elas murchavam. tinha sido assim fadado na maternidade, pela senhora da cama do lado. chamava-se branca e tinha perdido o filho por também ter sido fadada na maternidade, numa noite de neve, pela parteira que não suportava quem não chorasse pela mãe.
o manuel tinha sido abandonado, enrolado num xaile, com um livro de poemas nas mãos bem pequeninas, tão perfeitinhas. e acolhido por ester que tinha sido emigrante a vida toda em frança e que, enquanto preparava salada capresse com orégãos, o esquecia em cima da jukebox que tocava vezes e vezes sem conta a i know it's over.


sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

o cipreste parece que está a rezar, aquele gesto das mãos, o gesto de rezar*

as pessoas saem-nos da vida mas o coração fica mais pesado. depois, de quando em quando, podemos vê-las. dão-nos a mão, dizem que já vai passar, pedem-nos doce de pêra e marmelada, pedem-nos frades porque já caíram as primeiras chuvas, pedem-nos canções de embalar, levam-nos a reinos de outono numa "catroel" (4l).
quando fiquei sem o meu avô dilacerava-me pensar que nunca mais o ia ver, nessa altura já tinha dúvidas quanto ao paraíso, podiam ter-me dito que ia poder vê-lo, nos sonhos.

escrito no after 8, no dia 1.

*tia ção

sábado, 31 de Outubro de 2009

words in the hips ii

quando não sei bem o que dizer, se digo, digo disparates. se fico calada, faço aquela cara, olho para o céu, ponho as mãos nos bolsos, ou não ponho, e aperto-as muito. se está frio, esfrego os braços. se está calor, sopro um bocadinho.
quando tenho coisas para dizer e não as digo, penso noutras, algumas vezes coisas sem pés nem cabeça: a lua quando chora, chora purpurinas; quando é lua nova, as estrelas fazem uma festa, por isso, ficam mais brilhantes; o vento é maroto, por isso, despenteia as pessoas e ri desgarrado; as vacas sortudas são as que comem trevos de 4 folhas. e por aí fora.
as bailarinas andam com as palavras no corpo. desenham-nas a cada gesto, a cada passo, têm linhas muito fininhas nas mãos e nos pés, só visíveis a um certo tipo de luz. dançam e livram-se das palavras.